sábado, 13 de junho de 2009

SBT Repórter homenageia Janete Clair

Na edição desta quarta-feira, dia 10, o SBT Repórter exibiu uma reportagem especial em homenagem a uma das maiores novelistas brasileiras, para muitos a maior: Janete Clair, a "usineira de sonhos" no dizer de Carlos Drummond de Andrade.
No embalo da estreia, na próxima terça-feira, 16, de Vende-se um Véu de Noiva, adaptação de Iris Abravanel de um original de Janete, cuja obra radiofônica fora adquirida por Silvio Santos, o programa apresentado por César Filho com reportagem de Patrícia Vasconcellos e Luiz Bacci rememorou a vida e a obra da "maga das oito".
Foram exibidos depoimentos de dois dos filhos de Janete, Denise e Alfredo; de Tatiana, filha de Alfredo; Betty Faria, atriz de várias novelas de sucesso da autora, com destaque para Pecado Capital (1975/76); José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, o Boni, dos principais mandachuvas da Rede Globo e um dos grandes responsáveis pela posição da emissora; Artur Xexéo, autor de um perfil de Janete nos anos de 1990; os pesquisadores de teledramaturgia Fábio Costa (este que vos escreve) e Nilson Xavier, criador do site Teledramaturgia (cujo link consta dos links relacionados deste blog) e autor do Almanaque da Telenovela Brasileira (Panda Books, 2007).
Valeu a pena, pois sempre é válido evocar a memória dos que tanto contribuíram para que a televisão brasileira e, em especial, a telenovela, se tornasse o que é, reconhecida internacionalmente como das melhores do mundo. Ainda, pelo impagável momento com a telespectadora que cantou alegremente "Dinheiro na mão é carnaval, é carnaval...!"
Salve, Janete!

quarta-feira, 15 de abril de 2009

Na surdina, a volta da dona de Araxá

Na segunda-feira passada, dia 6, sem fazer alarde, o SBT colocou no ar, logo depois do capítulo de Revelação, uma reprise de Dona Beija, novela produzida pela extinta Rede Manchete em 1986 com Maitê Proença no papel-título.
Bem, sem fazer alarde em termos, porque por alguns dias a programação do SBT exibiu chamadas que falavam sobre a estreia de outra novela de sucesso da Manchete, depois do sucesso da reexibição de Pantanal (1990) entre junho do ano passado e janeiro deste. A surpresa se deu porque A História de Ana Raio e Zé Trovão (1990/91), de Marcos Caruso e Rita Buzzar, estava praticamente confirmada como atração do canal de Silvio Santos, enquanto de Dona Beija se falava numa nova versão.
A história tem menos de cem capítulos, escritos por Wilson Aguiar Filho com direção de Herval Rossano. Em 1986, a Manchete exibiu-a de abril a julho, às 21h30. Dois livros serviram de base para o autor: A Vida em Flor de Dona Beja, de Agripa Vasconcelos, e Dona Beija, a Feiticeira do Araxá, de Thomas Leonardos.
Ana Jacinta de São José, que ganha do avô João (Aldo César) o apelido de Beija logo que nasce, graças à sua cor que lembra a do beijo, flor abundante na região mineira de São Domingos do Araxá, é raptada pelos homens do ouvidor-mor d'El Rei, Joaquim Inácio Silveira da Mota (Carlos Alberto) e levada para a Vila de Paracatu, onde fica a casa dele. Para vingar-se do rapto e da morte de seu avô, assassinado ao tentar defender a honra da neta, Beija serve aos homens que a desejam em troca de ouro e joias. Convocado por Dom João VI (Jorge Cherques) a instalar-se na Corte, Mota abandona Beija, que volta então para Araxá rica e disposta a reconquistar o amor de juventude, Antônio Sampaio (Gracindo Júnior), filho de família tradicional de quem estava noiva ao ser sequestrada pelo ouvidor.
Apesar de amar Beija, Antônio não consegue compreender o comportamento dela e acaba se casando com Aninha (Bia Seidl), filha do Coronel Elias Felizardo (Sérgio Mamberti). Beija, com o intuito de feri-lo, abre então a Chácara do Jatobá, um famoso bordel de luxo onde se transforma em verdadeiro mito como cortesã, escandalizando a sociedade de Araxá. Ela se envolve com João Carneiro de Mendonça (Marcelo Picchi), filho de outra família tradicional, mas não consegue esquecer Antônio.
Um dos maiores sucessos da emissora, tendo apresentado uma cena marcante de Maitê, cavalgando nua num cavalo branco pela cidade, Dona Beija foi reprisada pela Manchete em 1988 e em 1992, ambas as vezes às 21h30, mesmo horário da transmissão original. No elenco, as presenças de Sérgio Britto, Abrahão Farc, Maria Fernanda, Maria Isabel de Lizandra, Jonas Mello, Jayme Periard, Mayara Magri, Mário Cardoso, Arlete Salles, Xuxa Lopes, Tarcísio Filho, Patrícia Bueno, Nina de Pádua, Jacqueline Laurence, Julciléa Telles, Mirian Pires, Edwin Luisi, Ary Coslov, entre outros.
O SBT divulgou na primeira semana da reprise no começo e ao final dos capítulos um comunicado convocando todos os que se considerarem detentores de algum direito pela reapresentação da novela a procurarem a emissora. Ao menos os protagonistas, Maitê e Gracindo, já se manifestaram insatisfeitos com a volta repentina da novela.

terça-feira, 24 de março de 2009

Paraíso - Às seis, uma viagem ao interior

Desde a semana passada, está no ar no horário global das 18h um agradável remake de Paraíso, novela de Benedito Ruy Barbosa cuja versão original fora exibida no mesmo horário entre agosto de 1982 e março de 1983. Depois de Negócio da China, de Miguel Falabella, que enfrentou problemas de aceitação e nos bastidores (com a saída do protagonista Fábio Assunção antes do meio da novela), a proposta de Edmara Barbosa, filha de Benedito e responsável pelo texto da nova versão com a colaboração de sua irmã Edilene, é uma viagem ao interior do país para contar a história do amor do filho do Diabo por uma santinha.
O tal "filho do Diabo" é José Eleutério (Eriberto Leão), filho do Coronel Eleutério (Reginaldo Faria), rapaz que fora estudar no Rio de Janeiro, mas depois de formado voltou à vida de peão, de que realmente gosta. A "Santinha" é Maria Rita (Nathália Dill), filha de Antero (Mauro Mendonça) e Mariana (Cássia Kiss), beata fanática que prometera a filha a Santa Rita quando de seu nascimento e fomenta o mito de que a moça é santa, capaz de operar milagres. O apelido de José Eleutério/Zeca é "filho do Diabo" graças a outra lenda, esta criada por seu pai, que reza que o garoto só foi concebido depois de ele ter aprisionado um diabinho numa garrafa - o "cramulhão". Ao redor dos dois jovens, dos mitos que os cercam e sua história de amor na pacata cidade de Paraíso, que dá nome à história, é que tudo se desenrola.
Comparando-se as duas versões, uma diferença notável está na narrativa, que hoje é mais "caipira" que ontem. Talvez isso seja reflexo do sucesso da reprise de Pantanal, também de Benedito, recentemente no SBT; numa tentativa de chamar a atenção do público da reprise, a nova Paraíso "interiorizou" o formato.
Na versão original da história, o casal protagonista era Kadu Moliterno e Cristina Mullins - no ar na reprise de Senhora do Destino como Aurélia, filha de Clementina (Mirian Pires) e mãe de Políbio/Shao Lin (Leonardo Miggiorin). Kadu está presente no remake na pele do italiano Bertoni, dono do bar em que os habitantes se reúnem para a fofoca de todo dia e um jogo de snooker. Além dele, Bia Seidl e Cosme dos Santos também participaram da novela de 1982. No elenco, ainda, as presenças de Soraya Ravenle, Carlos Vereza, Leopoldo Pacheco, Vanessa Giácomo, Alexandre Nero, Fernanda Paes Leme, Guilherme Berenguer, Guilherme Winter, Juliana Boller, Alexandre Rodrigues, Lidi Lisboa, Walderez de Barros, entre outros, mais o cantor Daniel, estreando em novelas na pele do peão Zé Camilo, personagem equivalente ao de Sérgio Reis na primeira versão.

quarta-feira, 4 de março de 2009

A volta da "anta nordestina"

"Anta nordestina". Os noveleiros de plantão, ao ouvirem essa expressão, imediatamente lembram do desprezo de Nazaré (Renata Sorrah) ao se referir a Maria do Carmo (Susana Vieira) em Senhora do Destino, grande sucesso escrito por Aguinaldo Silva para o horário nobre global em 2004/05 e que voltou na sessão Vale a Pena Ver de Novo nesta segunda-feira, dia 2 de março, em substituição a Mulheres Apaixonadas, de Manoel Carlos.
A trama central da novela era levemente inspirada no "caso Pedrinho", sequestrado por Vilma Martins Costa e que anos depois reencontrou a família. Em 1968, depois de abandonada em Pernambuco pelo marido com cinco filhos pequenos, Maria do Carmo Ferreira da Silva ruma para o Rio de Janeiro com a prole em pleno 13 de dezembro - dia da promulgação do Ato Institucional n.º 5, de triste lembrança. Anos depois, respeitada em Vila São Miguel, bairro que ajudara a construir, Maria do Carmo não desistiu de encontrar a filha caçula, Lindalva, roubada por uma mulher que dizia chamar-se Lourdes, mas na verdade se chama Nazaré e vive com a menina, a quem criou como filha e chamou Isabel (Carolina Dieckmann).
Nos dois primeiros dias de reprise, a novela dirigida por Wolf Maya atingiu índices em torno dos 20 pontos de audiência, o que a deixou no mesmo patamar da atual novela das seis, Negócio da China, já em fase final. Vale a pena ver de novo, em especial, as excelentes interpretações de José Wilker para o ex-contraventor Giovanni Improta, aquele que "nada deve à polícia nem ao fisco"; Glória Menezes e Raul Cortez - este em sua última novela - como os barões de Bonsucesso, Laura e Pedro; Nelson Xavier vivendo o irmão de Do Carmo, Sebastião, motorista eternamente apaixonado pela patroa Josefa (participação de Marília Gabriela nos primeiros capítulos); e, claro, Renata Sorrah, dando vida à vilã Nazaré de forma inesquecível.